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Seca histórica de 136 dias impacta produção agrícola e eleva preços de alimentos no Centro-Oeste mineiro

A região Centro Oeste do estado passou por uma das maiores secas da história, 136 dias sem chuva segundo o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia). O período de estiagem foi grande e impactou na produção de diversos alimentos, principalmente culturas perenes, como flores e frutas. E claro que isso trouxe outros impactos, como o preço dos alimentos.

De acordo com o professor de Agronomia da Faculdade Una Bom Despacho, e consultor ATeG Café + Forte do SENAR Minas, Vinícius Teixeira Lemos, a temperatura elevada, que começou no inverno, intervém nos processos fisiológicos mesmo suprindo o déficit hídrico através da irrigação. “A alta temperatura promoveu um florescimento precoce e acelerou a maturação dos frutos. Então, uma consequência final foi a redução de produção nas áreas”. De acordo com o docente, os produtores de hortaliças, principalmente, passaram por esses desafios com essas alterações climáticas, o que é visto nos preços na Ceasa e nos supermercados.

O extensionista e também professor da Una, Jamilson Wagner de Andrade Carvalho, observou que a fruticultura da região de Carmo do Cajuru (principalmente goiaba e banana) precisou intensificar muito a oferta de água nas irrigações durante esse período extenso de estiagem, e ainda assim perdeu em qualidade de frutos. “A mesma situação aconteceu com as hortaliças. Mas, não adianta apenas suprir com água, já que a temperatura foliar ficou acima da ótima para a planta fazer fotossíntese” acrescentou.

Na região do Alto Paranaíba, no município de Campos Altos – MG a grande preocupação está na cafeicultura. “O abortamento floral é grande e no último dia 24 de setembro o café deu a maior alta de preços na bolsa de Nova Iorque dos últimos 13 anos, devido à incerteza de safra para o ano que vem” preocupa-se Vinícius. Ele ainda ressalta a preocupação com os pastos, já que os pecuaristas que não reservaram alimento para ofertar aos animais estão passando aperto para encontrar alimento, porque a seca afetou muito, e em alguns casos, até acabou com o pasto tanta na região como por quase todo o estado mineiro.

Nos dias 09 e 10 de outubro choveu 13,6 mm em Divinópolis (INMET), e, para Vinícius, o momento é de torcida para a chuva vir bem distribuída para os próximos dias, e intensificar os cuidados para os próximos anos e safras, usando toda a tecnologia disponível no mercado para ser precaver. “Nas áreas de sequeiro em culturas perenes o uso de cultivares mais tolerantes a déficits hídricos, uso de gesso agrícola, uso de aplicação de matéria orgânica, uso de plantas de cobertura para se fazer matéria orgânica através da roçada ecológica são estratégias fundamentais. Ou seja, utilizar o que for possível para estimular a maior resistência da planta à seca e assim ela sentir menos” orienta.

Já na parte das culturas irrigadas, ele recomenda ter um(a) profissional técnico(a) para orientar a se realizar uma irrigação bem feita e planejada sempre, além do controle de temperatura em ambientes protegidos, o uso de protetores solares de plantas, além do uso equilibrado de fontes de magnésio e manganês através de aplicações foliares para reduzir a escaldadura foliar, entre outros. “Ter esse cuidado, se planejar, vai fazer toda a diferença nas produções de agora e nas futuras produções” finaliza.

Fonte: UNA

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