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Golpe da voz clonada: Polícia Civil de Minas alerta sobre nova fraude com uso de Inteligência Artificial

Quantas vezes você atendeu o telefone e, ao dizer “alô”, recebeu como resposta apenas silêncio? Uma ligação que não se completa, sem ruídos, sem respiração, sem nada além da sensação estranha de que alguém está escutando do outro lado. Esse comportamento, que muitos ainda tratam como simples telemarketing ou erro de discagem, hoje representa o início de um golpe considerado um dos mais sofisticados da atualidade: o golpe da voz clonada, também chamado de “roubo da voz”.

A Polícia Civil de Minas Gerais já confirmou casos no Estado. O alerta acendeu porque criminosos estão usando Inteligência Artificial para capturar, analisar e reproduzir digitalmente a voz de vítimas. A tecnologia consegue copiar entonação, ritmo de fala, pausas, sotaque e até trejeitos linguísticos. Em poucos segundos de áudio, o sistema cria uma versão sintética da voz da pessoa — capaz de enganar familiares, colegas de trabalho e até funcionários de banco.

Segundo o delegado Rafael de Freitas Faria, titular dos Crimes Contra o Patrimônio da 3ª Delegacia Regional de Ituiutaba, o método já aparece em investigações.

“O criminoso liga para a vítima e não fala nada. Ele deixa a pessoa repetir ‘alô’ três, quatro, cinco vezes. É nesse momento que a voz está sendo capturada. Depois, com essa voz clonada, o golpista realiza novas ligações para parentes e instituições financeiras, simulando situações de urgência financeira ou pedidos de autorização bancária”, afirma.

A tecnologia por trás do golpe é a mesma usada por empresas de dublagem, assistentes virtuais e atendimentos automatizados — mas, nas mãos erradas, torna-se uma arma emocional.

Em Minas, vítimas relataram ter recebido telefonemas de parentes que aparentavam estar desesperados, pedindo transferência imediata e alegando situações de emergência, como internações, prisões ou sequestros. A voz, idêntica à real, não levantava suspeitas.

“Imitam o tom, o ritmo e as características da fala da pessoa. Cruzando essas informações, verificamos um padrão prévio de chamadas mudas”, detalha o delegado.

Essa nova modalidade de golpe se aproveita da rotina e da confiança. Os criminosos observam redes sociais, coletam fotos, nomes de familiares e locais frequentados — informações públicas na internet. A ligação muda é apenas o primeiro passo da fraude.

Especialistas em crimes cibernéticos alertam: o medo e a urgência são usados como armas psicológicas. O objetivo é fazer a vítima agir rápido, sem pensar.

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