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Comerciante é presa em Carmo do Cajuru por suspeita de agiotagem, estelionato e falsificação de documentos

A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, nesta segunda-feira (27), uma comerciante de 52 anos, em Carmo do Cajuru, investigada por envolvimento em um esquema de agiotagem, estelionato, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à suspeita.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 100 mil da investigada, proprietária de uma loja de vestuário e artigos de cama, mesa e banho.

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Como funcionava o esquema?

Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que a comerciante aproveitava a relação de confiança com os clientes para solicitar a assinatura de notas promissórias em branco durante compras parceladas.

Os documentos continham apenas o nome e a assinatura dos consumidores, enquanto os valores das compras eram anotados separadamente em fichas mantidas exclusivamente pela investigada.

Mesmo após a quitação das parcelas, muitas vezes pagas em dinheiro diretamente à comerciante, as promissórias não eram devolvidas aos clientes e permaneciam arquivadas no estabelecimento ou na residência da suspeita.

Documentos eram alterados para cobrar clientes

De acordo com a investigação, as notas promissórias eram preenchidas posteriormente com valores e datas diferentes das transações originais e utilizadas para embasar ações judiciais de cobrança contra consumidores que já haviam quitado suas dívidas ou sequer realizaram compras nas datas registradas.

Em um dos casos analisados, a Polícia Civil identificou erro no sobrenome da vítima, divergências na caligrafia e marcas de grampos que indicariam manipulação posterior do documento.

Segundo o delegado Weslley Castro, responsável pelo caso, a maioria das vítimas era formada por pessoas em situação de vulnerabilidade e com baixa escolaridade. Em uma das ocorrências, a vítima afirmou não saber ler nem escrever.

“As vítimas, em regra, somente tomavam conhecimento das supostas dívidas quando eram citadas judicialmente, sem qualquer cobrança extrajudicial anterior, circunstância que reforça os indícios da fraude”, destacou o delegado.

Material apreendido

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam dezenas de notas promissórias, muitas delas assinadas em branco, além de fichas cadastrais, envelopes contendo títulos arquivados e um caderno utilizado para registrar renegociações de dívidas.

Também foram encontrados cheques de terceiros, alguns assinados e em branco, documentos de confissão de dívida, um aparelho celular e diversos outros documentos que, segundo a Polícia Civil, reforçam os indícios da prática de agiotagem.

A operação contou com apoio da Polícia Militar.

Investigações continuam

Além do bloqueio de bens e valores, a Justiça determinou restrições sobre imóveis ligados à investigada para garantir eventual reparação às vítimas.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam com novas diligências, oitivas e análise do material apreendido.

Pessoas que tenham sido alvo de cobranças semelhantes nos últimos seis meses podem procurar a Delegacia de Polícia Civil em Carmo do Cajuru. O sigilo das informações será preservado.

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