Saúde

Cigarros eletrônicos podem ser até seis vezes mais nocivos que o cigarro comum, alerta SES-MG

O consumo de cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes ou dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), tem gerado crescente preocupação entre autoridades de saúde e especialistas. Apesar do design moderno e da aparência tecnológica, esses produtos podem ser até seis vezes mais prejudiciais que o cigarro tradicional, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

O alerta ganhou força durante o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado na última sexta-feira (29).

Substâncias tóxicas e riscos à saúde

Embora muitas vezes divulgados como alternativa “menos danosa”, os vapes contêm altas concentrações de nicotina, além de metais pesados e compostos químicos perigosos. A prática repete estratégias antigas da indústria do tabaco, que no passado apostou em filtros, piteiras e até nos chamados “cigarros light” para suavizar a imagem do fumo.

Especialistas alertam que a falsa sensação de menor risco perpetua a dependência química e amplia as chances de doenças graves. Entre elas, está a lesão pulmonar aguda associada ao uso de cigarro eletrônico (Evali), além de problemas cardiovasculares e fibrose pulmonar irreversível em pessoas suscetíveis.

Atração entre adolescentes

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/2019) revelou que 1 a cada 6 adolescentes (16,8%) já havia experimentado cigarros eletrônicos. A popularidade se deve a fatores como:

  • formato semelhante a pen drives e associação à tecnologia;
  • sabores artificiais, que mascaram o gosto da nicotina;
  • influência de amigos e redes sociais.

Um estudo da Universidade de Michigan apontou que adolescentes usuários de vape têm 30 vezes mais chances de se tornarem fumantes regulares de cigarro convencional.

Regulamentação no Brasil

No Brasil, a comercialização, importação, distribuição e propaganda desses dispositivos está proibida desde 2009. A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 855, publicada em 2024, reforçou a proibição e incluiu a vedação do uso em ambientes coletivos fechados, públicos ou privados.

Prevenção em Minas Gerais

Todos os municípios mineiros aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE), que realiza ações educativas sobre tabagismo e outras doenças. Para a coordenadora de Promoção da Saúde da SES-MG, Nayara Pena, o investimento em informação é essencial:

“É fundamental investir em informação e prevenção, especialmente entre adolescentes, que são o principal alvo da indústria do vape.”

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