Suspeito de homicídio de estudante de psicologia em Juatuba é identificado pela polícia

A Polícia Civil de Minas Gerais apura a morte da estudante de psicologia Vanessa Lara de Oliveira, de 23 anos, registrada em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O principal investigado é Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos. Conforme informações repassadas por familiares à Polícia Militar, ele teria ligado para parentes após o crime, admitido o homicídio e informado que estaria na região central da capital mineira. Até as 11h30 de ontem, ele não havia sido encontrado e continuava foragido.
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Segundo o registro policial, familiares relataram que Ítalo apareceu na residência pouco depois do ocorrido, com roupas sujas de barro, arranhões pelo corpo e vestígios de sangue. Após o telefonema em que teria confessado o assassinato, pediu dinheiro à mãe, tomou banho e saiu afirmando que seguiria para Belo Horizonte, onde passaria a viver nas ruas.
A Polícia Militar realiza rastreamentos em Belo Horizonte e municípios vizinhos. De acordo com dados levantados pelas forças de segurança, o suspeito possui antecedentes por tentativa de estupro, roubos e tráfico de drogas, além de estar cumprindo pena em regime semiaberto domiciliar.
Últimos passos
Câmeras de monitoramento registraram os momentos finais de Vanessa antes de desaparecer. Em uma das imagens, ela deixa a unidade do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Juatuba, onde participava de atividades ligadas ao estágio. Depois, é vista caminhando por vias movimentadas e, posteriormente, por uma área com menor circulação de pessoas.
O desaparecimento foi comunicado no mesmo dia. A mãe da jovem procurou a polícia e publicou fotos nas redes sociais, mobilizando amigos, parentes e moradores da cidade nas buscas.
Corpo localizado
O corpo foi encontrado na tarde de terça-feira (10), em uma área de mata na rua Santa Cruz, acesso à BR-262, próximo ao ponto onde Vanessa aguardava transporte para voltar a Pará de Minas. Conforme a Polícia Militar, ela estava nua, apoiada sobre uma árvore, com evidentes sinais de violência.
Durante as buscas, voluntários localizaram uma calça jeans feminina suja de barro na vegetação. Em seguida, o corpo foi encontrado e a PM isolou o local para os trabalhos da perícia.
Peritos apontaram indícios de violência sexual e indicaram, preliminarmente, que a morte pode ter ocorrido por estrangulamento com o cabo de energia do notebook da vítima. A mochila com roupas, o computador portátil e o celular foram recolhidos para auxiliar na investigação.
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O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), passou por exames e foi liberado à família no fim da noite. O sepultamento ocorreu às 11h de quarta-feira (11), no distrito de Antunes, em Igaratinga. O velório foi realizado no Cemitério Parque da Serra, em Pará de Minas, reunindo familiares, amigos e colegas.
Quem era Vanessa
Natural de Pará de Minas, Vanessa cursava o 7º período de psicologia e se deslocava diariamente até Juatuba para cumprir estágio. Professores e colegas a descrevem como dedicada, tranquila e comprometida. Ela pretendia seguir carreira na área de Recursos Humanos.
Durante a graduação, também atuou como estagiária no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (Caps-IJ), atendendo crianças e adolescentes com transtornos mentais graves. A morte da estudante provocou grande comoção na universidade, que suspendeu temporariamente as aulas da turma em sinal de luto.
Violência contra a mulher
O caso reforça o cenário preocupante da violência de gênero no país. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que, em 2025, foram julgados 15.453 processos relacionados a feminicídio no Brasil, média de 42 por dia. No mesmo período, 621.202 medidas protetivas foram concedidas — cerca de 70 por hora.
A Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 — registrou média de 425 denúncias diárias ao longo do ano passado, evidenciando que a violência contra mulheres permanece recorrente em diferentes faixas etárias e contextos sociais.
A Polícia Civil prossegue com as diligências para localizar o suspeito e esclarecer completamente as circunstâncias do crime. Até o encerramento desta edição, não houve posicionamento oficial da corporação.
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