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Prevent fez tratamento paliativo para reduzir custos, diz paciente

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Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado, nesta quinta-feira ( 7), o advogado Tadeu Frederico Andrade, de 65 anos, disse que é “um sobrevivente” dentre as pessoas que foram tratadas contra a covid-19 pela operadora de saúde Prevent Senior. As condutas do plano de saúde são alvo de investigação pela comissão parlamentar e pelo Ministério Público de São Paulo.

Segundo ele, após passar por uma teleconsulta “de menos de dez minutos” e relatar febre e dor no corpo recebeu um kit com hidroxicloroquina e ivermectina em sua casa. O advogado acrescentou que, após piorar, procurou um pronto socorro, onde obteve o teste positivo para a covid-19. O paciente também foi diagnosticado com uma “pneumonia bacteriana já avançada”.

Aos senadores, o depoente contou que a partir da piora do quadro os médicos entraram em contato com sua família para informá-los do início do tratamento paliativo, indicado “ a pacientes cujas chances de óbito são grandes”. “Felizmente, a minha filha não concordou, e [ainda assim] horas depois essa Drª. Daniela inseriu no meu prontuário os cuidados paliativos mesmo sem a autorização da família. Ela recomendou que não fosse mais feita hemodiálise, que eu não recebesse antibióticos e que não houvesse manobra de ressuscitação se preciso fosse”, contou.

De acordo com o depoente, a mesma médica escreveu no prontuário que em contato com a filha Maíra, a mesma entendeu e concordou com a conduta. “Isso é mentira, minha família não concordou”, disse.

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva de beneficiário e de ex-médico da Prevent Senior. A operadora de saúde é acusada de ocultar mortes de pacientes por Covid-19 e de pressionar médicos a prescreverem
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva de beneficiário e de ex-médico da Prevent Senior. Pedro França/Agência Senado

Durante o depoimento, Tadeu Andrade relatou que diante da postura da operadora, a família decidiu contratar um médico particular para o acompanhamento. Após pressão da família e indicativos de que eles iriam procurar a mídia, os médicos recuaram e seu tratamento foi continuado.

O advogado definiu como “trama macabra” a atuação da Prevent Senior. Disse que  esteve internado por 120 dias em um hospital da rede e que não morreu por causa da reação da família. “Minha família lutou contra a poderosa organização que é a Prevent, lutou para que eu não viesse à óbito, não aceitaram a imposição dos cuidados paliativos”, disse.

Questionado se tem conhecimento de outros pacientes que tiveram o mesmo problema, Tadeu Frederico de Andrade disse que sim. “Pelo menos um caso. Uma das minhas filhas relatou que fez amizade com uma mulher que estava acompanhando a avó dela num leito de UTI próximo ao meu. Elas se encontraram várias vezes. Pelo que a gente sabe, essa senhora foi para cuidados paliativos e veio a óbito. Não posso generalizar, mas esse caso minha filha testemunhou. Eu não fui o único. Acredito que muitos mais tenham ido a cuidados paliativos”, afirmou o advogado. 

Ainda segundo ele, os pacientes eram encaminhados para os chamados “cuidados paliativos” para retirar pacientes dos leitos de UTI e reduzir custos da operadora.

Outro lado

Em nota encaminhada à Agência Brasil, a Prevent Senior refuta a denúncia de ter iniciado tratamento paliativo ao paciente Tadeu Frederico de Andrade sem autorização da família. “Já tornado público via imprensa, o prontuário do paciente é taxativo: uma médica sugeriu, dada a piora do paciente, a adoção de cuidados paliativos. Conversou com uma de suas filhas por volta de meio-dia do dia 30 de janeiro. No entanto, ele não foi iniciado, por discordância da família, diferentemente do que o sr. Tadeu afirmou à CPI”. Ainda segundo a nota, “a médica fez uma sugestão, não determinação”.

Médico

Além do advogado Tadeu Andrade, a CPI também ouve hoje o ex-médico da operadora, Walter Souza Neto. Ele confirmou aos senadores uma série de denúncias contra a Prevent Senior. Uma delas era que os médicos eram obrigados a prescrever aos pacientes o chamado kit covid, composto por medicações sem eficiência contra o coronavírus comprovada cientificamente.

Agência Brasil

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