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Polícia Federal desmantela grupo criminoso que planejava atentados contra autoridades.

Uma operação da Polícia Federal (PF) revelou a existência de uma organização criminosa que se autodenominava “Comando C4” – sigla para Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos. O grupo é suspeito de envolvimento em espionagem, assassinatos por encomenda e vigilância ilegal de autoridades, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), senadores e deputados. Entre os nomes citados em anotações apreendidas está o do senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado.

A operação, batizada de “Sisamnes”, foi deflagrada na manhã desta terça-feira (27) e cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, quatro ordens de monitoramento eletrônico e seis de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso. A quadrilha, composta por civis e militares, estabelecia valores para ações criminosas: R$ 250 mil para monitorar e executar ministros do STF, R$ 150 mil contra senadores e R$ 100 mil contra deputados.

Citação de Rodrigo Pacheco

O nome de Rodrigo Pacheco foi encontrado entre os documentos apreendidos, mas ainda não se sabe se ele era apenas monitorado ou se seria alvo de atentado. Em nota, o senador repudiou o caso:

Externo meu repúdio em razão da gravidade que representa à democracia a intimidação a autoridades no Brasil, com a descoberta de um grupo criminoso, conforme investigação da Polícia Federal, que espiona, ameaça e constrange, como se o país fosse uma terra sem lei”, declarou Pacheco.

Ele também afirmou confiar na Justiça e pediu celeridade nas investigações.

“Tabela de preços” e armamento pesado

Na casa de um coronel do Exército, apontado como líder do grupo, a PF encontrou uma espécie de “tabela de preços” com valores estipulados para ações criminosas. Além dos valores para atentados, os serviços oferecidos incluíam:

  • Inteligência e espionagem
  • Atuação de hackers
  • Fornecimento de armamento pesado, como fuzis e minas
  • Uso de garotas e garotos de programa como iscas em operações

Conexão com assassinato em Cuiabá

A operação também investiga o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023, em Cuiabá (MT). Ele era peça-chave em apurações sobre a venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Entre os detidos pela PF estão:

  • Aníbal Moreno Laurindo – fazendeiro acusado de ser o mandante, envolvido em disputa agrária de R$ 100 milhões;
  • Coronel Luiz Caçadini, do Exército – suspeito de intermediar o crime;
  • Antônio Gomes da Silva – apontado como o executor dos disparos;
  • Hedilerson Barbosa – dono da arma utilizada no homicídio.

O advogado foi seguido e executado com dez tiros em frente ao próprio escritório.

Investigação no STF

O inquérito corre sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, do STF, e foi prorrogado por mais 60 dias, dada a complexidade do esquema. Segundo a PF, a organização é “consideravelmente mais sofisticada” do que se suspeitava inicialmente.

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