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Por Hugo Serelo.
Em 1994 chegou ao Cruzeiro um jovem baiano chamado Nelson de Jesus da Silva, o Dida. Goleiro canhoto, alto e esguio. O garoto de 20 anos já era destaque do Vitória vice-campeão Brasileiro e foi contratado pelo então presidente cruzeirense César Masci.
 
Ao chegar ao time de Ronaldo Fenômeno, Dida já fez jogos promissores já naquela temporada. Em 1995 teve um ótimo ano, e no Brasileirão chegou com o Cruzeiro até as semi-finais. Mas foi em 1996 que começou a consolidar sua história no Cruzeiro Esporte Clube.
Copa do Brasil 1996 
O Cruzeiro chegou à final da Copa do Brasil contra o poderoso Palmeiras do ataque dos 100 gols. Uma seleção composta por Rivaldo, Djalminha, Luizão, Edílson, Velloso e tantos outros comandados por Luxemburgo. Após um empate em 1×1 no Mineirão, os times decidiram a parada no Palestra Itália. Naquela noite, Dida construiu uma muralha no gol direito do Parque Antarctica e não deixou passar nem tiro de bazuca à queima-roupa.
 
O bombardeio foi incessante e Dida catou com as mãos e até com os pés os mais difíceis chutes do mundo. Na linha, 10 cruzeirenses deram o sangue até conseguir virar o placar pra 2×1 e erguer um dos canecos mais lembrados da história do clube.
 
A vitória por 2×1 rendeu o Bi da Copa do Brasil e cravava Dida como um herói. Credenciou o craque a ser titular da Seleção Brasileira. Acima de tudo, permitiu ao Cruzeiro disputar a Libertadores, torneio que na época só acolhia campeões.
Especialista em Penalydades
 
Foi em 97 que Dida mostrou ao mundo um de suas melhores especialidades: defesa de penaltys.
 
Dida já defendia muitos penaltys nos treinamentos da Toca da Raposa I e nos jogos começou a defender quase todos. Nas oitavas e nas semi-finais da Libertadores foi Dida quem classificou o Cruzeiro contra o El Nacional-EQU e contra o Colo Colo do Chile.
 
No jogo da final no Mineirão operou um milagre defendendo uma bomba em cobrança de falta, e em seguida espalmou o rebote que vinha à queima-roupa. Duas defesas milagrosas aos 30 minutos do segundo tempo.
 
Cinco minutos depois, Elivélton fez o gol do título e em vez de beijar aliança, fazer média com organizada ou correr pra câmera, o meia preferiu atravessar o campo e abraçar o amigo Dida lhe agradecendo pela defesa milagrosa minutos antes.
 
Seu último ano no clube foi em 1998 quando passou raspando com os vices de Mercosoul, Copa do Brasil e Brasileiro. Foi merecidamente convocado pra Copa do Mundo na França.
 
Sua saída em 99 foi conturbada e com nebulosidades nos bastidores envolvendo polêmicas com os Perrellas. Uma frustração para a torcida.
 
Foi titular do Milan por quase 10 anos. Um feito inédito entre goleiros brasileiros na Europa.
 
Seu último contato com a Torcida do Cruzeiro foi em 2014 no jogo Cruzeiro 2×1 Internacional e foi ovacionado pela Torcida do Cruzeiro.
Um Ídolo
 
Sem dúvida, Dida é o maior goleiro brasileiro dos últimos 50 anos. Foi titular na Copa de 2006, embora também merecesse a camisa 1 nas Copas de 1998 e 2002, quando ficou no banco de reservas para Taffarell e Marcos.
 
No Cruzeiro, está ao lado de Geraldo IIRaul Plassmann e Fábio como os quatro maiores goleiros da história do clube.
Hugo Serelo, andradense de 30 anos, é pesquisador esportivo e jornalista. Torcedor do Rio Branco de Andradas, com uma leve simpatia pelo Cruzeiro Esporte Clube.
Fonte: Sistema MPA
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