
Mensagens de WhatsApp trocadas entre o tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa, a soldado Gisele Alves, revelam um relacionamento marcado por controle, ciúmes e imposição de submissão. Dois dias antes do crime, ocorrido no apartamento do casal no bairro do Brás, na região central de São Paulo, o oficial se autodeclarava “macho alfa” e exigia que a esposa fosse “obediente e submissa”.
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Os diálogos fazem parte das investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo e resultaram no indiciamento de Geraldo Neto por feminicídio e fraude processual. A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo foi aceita pela Justiça nesta quarta-feira (18), tornando o oficial réu no processo.
O tenente-coronel já estava preso desde a mesma manhã por decisão da Justiça Militar, a pedido da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Ele permanece detido no presídio militar Presídio Militar Romão Gomes, localizado na zona norte da capital.
Mensagens revelam controle e ciúmes
Nas conversas analisadas pela investigação, o oficial impunha regras rígidas à esposa, proibindo-a de cumprimentar outros homens com beijo no rosto ou abraços. Em uma das mensagens, afirmou que “lugar de mulher é em casa cuidando do marido”.
Ele também teria cobrado relações sexuais como contrapartida por ser o “provedor” da casa, afirmando que contribuía financeiramente enquanto a esposa deveria retribuir com “carinho, atenção, amor e sexo”.
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Investigação aponta feminicídio
Segundo a acusação, o crime teria sido motivado por ciúmes e comportamento possessivo. De acordo com laudos periciais e com a reprodução simulada do caso, o oficial teria segurado a cabeça da vítima e disparado contra ela com a própria arma.
As investigações também apontam que, após o crime, ele teria tentado alterar a cena, colocando a arma na mão da vítima, escondendo o estojo da bala e tomando banho para eliminar vestígios. Essas ações fundamentam a acusação de fraude processual.
O Ministério Público pede que, em caso de condenação, seja fixada indenização mínima de R$ 100 mil para os familiares da vítima.
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Desde 2024, o feminicídio passou a ser considerado crime autônomo no Brasil, com pena prevista entre 20 e 40 anos de prisão.
Defesa nega acusação
A defesa de Geraldo Neto nega que ele tenha cometido o crime e contesta a competência da Justiça Militar no caso, argumentando que o julgamento deve ocorrer apenas na Justiça comum.
Em nota, o escritório responsável afirma que o oficial colaborou com as investigações e que a divulgação de mensagens pessoais atinge sua honra e dignidade.
Este é o primeiro caso de feminicídio envolvendo um oficial da Polícia Militar paulista desde 2015, quando o crime passou a ser previsto na legislação brasileira.




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